Encontros da Imagem 2016 - I


Todos os meses do ano tem o seu encanto, mas o de Setembro em Braga será sempre especial. O festival internacional de fotografia Encontros da Imagem voltou para a sua 26ª edição. A corrente edição, cuja temática se descreve em torno da felicidade - Happiness, a place in the sun, teve a sua inauguração entre os dias 20 e 25. A inauguração decorreu no Mosteiro de Tibães, onde é possível visitar o Memory Lab of Happiness.

"A exposição “MEMORY LAB OF HAPPINESS ” dá corpo aos projetos dos “autores -descoberta” da open call, lançada no inicio de 2016 para corresponder ao desafio de pensar criticamente o lugar da ”Memória” e “Felicidade” na atualidade. O Festival reafirma a vontade de lançar autores revelação, através de uma chamada pública gerando oportunidades de exposição e projeção."

Mais informação sobre os autores presentes no MEMORY LAB OF HAPPINESS : http://encontrosdaimagem.com/pt/2016/exhibits/memory-lab-of-happiness/
No Mosteiro, encontra-se também presente a exposição 'Reunion' de Marie-Pierre Cravedi. http://encontrosdaimagem.com/pt/2016/exhibits/winner-international-photography-award-2014-marrie-pierre-cravedi/




























Nan Goldin - I'll be your Mirror

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Wolfgang Tillmanns - No Limiar da Visibilidade
















A exposição do fotógrafo alemão esteve em exibição na Fundação de Serralves de 30 de Janeiro a 25 de Abril de 2016. Mais informação sobre a exposição, site da Fundação de SerralvesRoteiro da Exposição (PDF)

Traces of a Diary - Giveaway



Traces of a Diary é uma espécie de diário de viagem. Através duma série de encontros com alguns dos mais significativos fotógrafos japoneses, os realizadores reflectem sobre o acto de fazer imagens, contar histórias, e o processo diarístico. Ao filmarem com duas câmaras 16mm de corda, as Krasnogork3, Martins e Príncipe valorizam a crueza do espontâneo e do contigente, acima do tratamento estudado. Ao mesmo tempo diário e reflexão sobre o género diarístico, Traces of a Diary é uma visão pessoal sobre alguns dos mais importantes fotógrafos actuais e a cidade que eles fotografam.

Dispomos de uma cópia do DVD para oferecer aos nossos leitores. Uma oferta da editora Midas Filmes.

Como participar no passatempo:
- Colocar 'Gosto' na página da Midas Filmes e do Nova Photographia no Facebook.
- Partilhar o passatempo no Facebook , referenciando na partilha a página da Midas e do Nova Photographia.
- Deixar um comentário na caixa de comentários desta mensagem, no site, com o respectivo email do participante.

O vencedor será escolhido com o recurso a um sistema de escolha aleatório.
O passatempo tem conclusão no dia 17 de maio, no qual o vencedor será contactado via email.

Robert Mapplethorpe - Arena


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José Pedro Cortes - One's Own Arena



As imagens de José Pedro Cortes são habitadas por elementos de diferentes genealogias. Pessoas, casas, paisagem, acidentes urbanísticos, tudo encontra um lugar nas suas fotografias e a estratégia, o foco, o tema alteram-se a cada imagem. Um trabalho que deve ser visto não enquanto tentativa de imposição de uma visualidade construída a partir de esquemas compositivos e plásticos, mas como esforço de compreender o mundo enquanto imagem. Quer esteja na Costa da Caparica, em Israel ou em Toyama no Japão, todos os lugares onde desenvolveu projectos mais complexos e demorados, a sua ambição é sempre usar a fotografia como ferramenta de aproximação, relação e conhecimento. A série One's Own Arena, de que esta exposição é uma seleção, não é exceção e nela pode ver-se a mesma espécie de metodologia fotográfica, criativa e prática que Cortes tem vindo a desenvolver e a aprofundar. Sobre esta série diz: Circulamos à volta de paisagens, objectos e pessoas em Toyama, uma pequena cidade no Japão. Olhamos para as situações banias como alguém a beber uma cerveja ou uma rua ao anoitecer, ao mesmo tempo que somos, por exemplo, confrontados com uma sequência de imagens de uma mulher a ser fotografada num quarto. Todas essas situações são pouco narrativas e tendem a puxar-nos para dentro da imagem, o que as isola e as põe num diálogo tenso. E são estas tensões que caracterizam as diferentes imagens e que não se deixam sintetizar num tema unificado ou numa ideia a ser desenvolvida à maneira de uma tese que se pretende demonstrar. O seu movimento é imprevisível e realiza gestos de expansão e contração, abertura e fechamento, exprimindo-se tanto em objectos isolados como se fossem fragmentos de uma cena maior - uma jarra de vidro, por exemplo -, como em detalhes arquitectónicos, cenas quotidianas como um jantar ou situações íntimas como aquelas em que estão as mulheres que voluntariamente se despem para as imagens e se submetem ao aparato fotográfico, etc. Trata-se de uma forma particular de deambulação que não é inteiramente deambulação, porque para o fotógrafo fazer fotografia é indissociável de uma forma fundamental de demora, distante da ideia de 'instantâneo' que caracteriza tanto da fotografia contemporânea que tem no quotidiano a sua vocação. Portanto trata-se de um deambular que não se caracteriza por um desprendimento relativamente à realidade que usa como matéria de construção das suas imagens e, em vez de uma perspectiva em voo que vê tudo à distância e do alto, se coloca no centro das cenas e junto às coisa e às pessoas de que quer formar uma imagem.
A fotografia não é para Cortes uma linguagem imediata, mas um instrumento de aproximação e de relação, ou seja, constitui uma possibilidade de chegar ao mundo e se relacionar com ele. Mas não é uma relação estética, pictórica e exclusivamente artística: trata-s de realmente se deixar envolver pela realidade. Diz o fotógrafo: Uso uma estratégica simples que é perguntar como é que aqui, neste sítio distante, a pessoas da minha idade vivem. E assim fui conhecendo pessoas com vidas muito normais, com filhos, a trabalharem e com quem fui passando algum tempo. Uma coisa honesta, sem qualquer interesse artístico, apenas pessoas que nos vão interessando. aos poucos criei com elas uma relação próxima, por vezes fotografando-as, tudo numa fronteira muito ténue entre a intensidade dos retratos e a fragilidade de uma proximidade muito recente. Não que defenda que esta proximidade me traga imagens mais 'reais' ou 'verdadeiras'. Pelo contrário, nesta exposição há muitas imagens onde se nota direcção, encenação e a minha presença. Mas falo de uma proximidade e uma tensão entre fotografia e fotógrafo que só se descobre nesse confronto de ter alguém à nossa frente e ter que o dirigir. Esta descrição não inscreve estes trabalhos no campo do documento ou do arquivo, mas faz deles materializações de uma forma de atenção e possibilidades de acesso ao mundo e aos seus factos. Uma atenção à realidade que não se limite a deslocar as coisas do mundo para o contexto da arte, assumindo-se como esforço e tarefa de conhecimento para os quais a direção da fotografia (a encenação da cena fotográfica) e a montagem servem como motores de criação de uma ficção. Ficção esta que não serve um propósito de distração, sendo uma forma de intensificar a relação com a realidade. Aspetos estes com importantes consequências na temporalidade do método de José Pedro Cortes: O meu processo - o tempo que passo com as pessoas - é o segredo que as imagens contêm para existirem e para se acreditar nelas. Como se chega lá, às imagens, é apenas uma questão de moralidade. E não falo da moralidade de grupo, da justiça e compreensão mútua, ou neste caso, da correcção do fotógrafo face ao fotografado. Falo da moralidade de um indivíduo. Como é que ajo quando tenho uma pessoa à frente; onde estão os meus limites, que imagens é que verdadeiramente quero. E quanto mais tempo passa, mais esta luta é grande e mais chego à conclusão que acabo sempre por lutar comigo. Por isso, os retrato são tão importantes para mim. Ainda que estas palavras surjam no contexto dos seus retratos, elas sevem como matriz de todo o fazer de Cortes: deixar-se ficar e acreditar que as imagens não são simples invenções do ócio humano, mas verdadeiro acessos ao mundo e ao outro. A sua moralidade, que também é o seu segredo, é a exigência feita por estas fotografias de serem enfrentadas não enquanto existências pictóricas fixadas numa folha de papel e penduradas numa parede, feitas para contentamento da vaidade humana, mas como verdadeiros redações da realidade objectiva do mundo.
Nuno Crespo.
Todas as citações do fotógrafo são retiradas de uma conversa conduzida pelo autor do texto.
Texto de Nuno Crespo que acompanha a folha de sala da exposição.

Josef Koudelka - Uncertain Nationality


Está patente em Madrid na Fundación Mapfre a exposição Uncertain Nationality dedicada ao fotógrafo checo Josef Koudelka (n. 1938). Esta apresenta uma retrospectiva da sua actividade de 50 anos dedicados à fotografia. Desde as suas fases mais experimentais de início no meio fotográfico, passando pelas imagens mais marcantes da sua carreira, série Gypsies. A sua fotografia é marcada pela forma que documenta ao longo do tempo aqueles que, como ele, tiveram de passar por exílios e fugas.  Na exposição estão contemplados também objectos como livros, maquetes e pequenos filmes que ajudam a compreender melhor o processo criativo do autor.   

No site da fundação é disponibilizada toda a informação que está patente na exposição, inclusive é possível efectuar uma visita virtual. Entrevistas de Josef Koudelka aos jornais espanhóis - El Mundo - El Pais . Até 29 de Novembro de 2015 na Sala Bárbara Braganza da Fundación Mapfre em Madrid.

Martin Parr - A Place in The Sun





A recente galeria Barbado, após a sua primeira exposição colectiva, Portrait of the World, que reunia trabalho de diversos fotógrafos como Ren Hang, Gaston Bertin, Denis Rouvre e Martin Parr, inaugurou a sua primeira exposição individual. Um dos nomes presentes na primeira exposição repete-se mas em nada se torna repetitivo. A Place in the Sun apresenta um conjunto de  fotografias do fotógrafo, editor, colecionador britânico Martin Parr. Membro da reputada agência Magnum, após insistência e refutação do seu trabalho de cor por diversos membros entre os quais Cartier-Bresson, a afirmação e solidificação do seu trabalho, demonstrou que este era um caminho válido na fotografia de carácter documental. É o actual o presidente desta agência.  

Cores intensas, vivas e que fazem lembrar os dias tórridos de sol. Não bastava o seu trabalho de cor, também é capaz de demonstrar um sentido de humor, tipicamente britânico, nas imagens que regista  que nada em nada desvaloriza o seu trabalho. Antes pelo contrário, talvez seja esse aspecto que o tornou um dos mais importantes fotógrafos contemporâneos. A sua leitura da vida sob a aparência leviana e satírica é uma forma de nos fazer rir de nós próprios e reflectirmos sobre a nossa maneira de ser. A praia é um dos espaço de eleição de Martin Parr, senão mesmo o espaço ideal onde este demonstra as suas melhores observações sobre o comportamento do homem contemporâneo e de cultura ocidental. 

As suas fotografias presentes nesta exposição são datadas entre 1986 e 2015.

Martin Parr - A Place in The Sun
Até dia 11 de Novembro de 2015 na Barbado Gallery
Rua Ferreira Borges 109 A . Lisboa
+ informação: facebook - site